Editorial - junho de 2013

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O direito e o dever de trabalhar

«É mediante o trabalho que o homem deve procurar o pão quotidiano e contribuir para o progresso contínuo das ciências e da técnica, e sobretudo para a incessante elevação cultual e moral da sociedade, na qual vive em comunidade com os próprios irmão.».

Estas afirmações constituem o início da carta encíclica «Laborem Exercens», publicada pelo Papa João Paulo II em 14 de Setembro de 1981.

Volvidos mais de 30 anos o conteúdo daquele documento ganha uma actualidade crescente. De facto, na Europa e em Portugal, as concepções neoliberais dominantes tem feito do trabalho uma mera mercadoria. O seu valor cresce ou desce em função das leis da oferta e da procura. Contratar ou despedir são actos de natureza administrativa, onde o respeito pela pessoa não entra E assim, com alguma facilidade milhares de pessoas são despedidas e impedidas de garantir o seu sustento e das suas famílias e de dar os eu contributo para o bem estar dos outros concidadãos.

As indemnizações e os subsídios que muitas vezes são atribuídas aos trabalhadores despedidos, não passam de uma ilusão e, nalguns casos, de um logro. O dinheiro esvai-se rapidamente e o pior é privar alguém, que estando em boas condições de saúde, de contribuir, com o seu esforço, para o bem comum.

Por aqui, neste cantinho à beira mar plantado, o Governo está a preparar legislação que, a prazo, permitirá despedir milhares de funcionários públicos, em nome da necessidade não demonstrada de reformar o Estado. Será este o caminho certo? Não seria mais correcto promover novos serviços, melhorar a qualidade de outros, desenvolver [o sector empresarial] a função social do Estado ao invés de o privatizar?

junho de 2013

Forum Abel Varzim

Direção

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