Editorial - julho de 2013

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Nem só de pão vive o homem

Vivemos um tempo complexo e, quiçá, um tanto perigoso. A globalização é uma realidade: transformámos o nosso mundo na «Aldeia Global» de que falava Marshall Mcluhan; as tecnologias de comunicação, cada vez mais evoluídas e cada vez mais acessíveis, permitem passar informações, mobilizar multidões e organizar grandes acções de massa.

Vejamos o que se está a passar no Brasil, na Turquia, no Egipto e em muitas outras zonas do mundo. Uma massa de gente – impossível de contar – forma-se quase espontaneamente e grita em defesa dos direitos e valores globais e afirma a vontade comum de participar na construção do futuro. Não admira que estas manifestações mobilizem muitos jovens.

E se é certo que em alguns destes eventos aparecem associadas cenas de violência, (o que é sempre negativo) também é certo que são um sinal claro do mal estar que atinge milhares e milhares de pessoas, fartas de serem esquecidas, de serem governados por gente que se deixa corromper e que governa em função apenas dos seus interesses pessoais ou dos seus amigos mais próximos.

De facto, hoje, está a crescer, como se fora uma bola de neve, a consciência de que cada um é um sujeito activo na sociedade, que tem o direito de se expressar livremente e afirmar a sua dignidade de pessoa humana. Já não é só a luta pelo bem-estar material (o pão) que mobiliza os indivíduos.

Os governantes de toda o mundo, e naturalmente os portugueses, que se cuidem. Governar sem ter em conta o bem comum de todos e sem escutar/considerar os seus anseios, é criar «bombas relógio» que podem explodir a qualquer momento, como referia, recentemente, um dirigente de uma associação empresarial de Portugal.

julho 2013

Forum Abel Varzim

A Direção

 

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