2015 / EDITORIAL - TANTOS MILHÕES.....

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Tantos milhões...

Depois de cerca de 10 anos de grande crise económica, financeira e social, parece que a UNIÃO EUROPEIA, vai gastar uns brutos milhões, com os  pobres (Quadro Comunitário 2014/2020). Ou melhor, para pagar aos Funcionários,  Instituições e Organizações Não Governamentais, que são gestoras da pobreza no nosso País.

Detenhamo-nos  sobre a "via sacra" que mulheres e homens do nosso tempo percorrem, desde que conhecem  a situação de desemprego, até tomarem consciência da condição de excluídos. São conhecidas realidades como a que nos é relatada por uma Assistente Social, que se cruza directamente com os mais diversos percursos de vida, com os quais o Estado gasta tanto, mas tanto dinheiro…

A odisseia começa como vemos:

  • Inscrição no Centro de Emprego (resposta: não há empregos);
  • Recurso às Cantinas Sociais (onde se investiram milhões para o take-away para os pobres);
  • Viver na rua porque se é despejado;
  • Receber alimentação (de IPSS's e outras organizações);
  • Inúmeros atendimentos por diversos técnicos de Serviço Social (Instituições, Autarquias, Hospitais, etc.);
  • Comer o que as carrinhas das "Equipas de Rua" dão;
  • Frequência dos balneários públicos, com recepção de “roupinha” de alguém que doou.

Estes pobres, muitos e demais, são "os novos pobres", porque só agora são pobres, ou porque são pobres de maneira diferente. Uma imagem excessiva da pobreza, dos que nada têm, serve para evitar falar de empobrecimento, dos que, para o poder, têm apenas alguns problemas, a que certamente sobreviverão. É esta a imagem que vamos retendo e que se vive concretamente nos meios urbanos e não só. As pessoas atingem um estado de vulnerabilidade e dependência sem tomar consciência que são vítimas/filhas do casamento de duas palavras que se casaram há algum tempo, e que se chamam CRISE E SOLIDARIEDADE.
"Em Portugal estamos certamente menos pobres, que há 50 anos, mas estamos muito mais desiguais. O abismo entre os 20% mais ricos e os 20% mais pobres é cada vez mais largo e mais profundo. O bem produzido ou transformado não é justa e equitativamente repartido, por isso não é bem comum, bem de TODOS. E os pobres não são apenas os que sobrevivem com nenhuns ou escassos rendimentos. Também 10,1% dos que trabalhavam em 2012 estavam em risco de pobreza. A estes juntavam-se mais de meio milhão de desempregados, sem qualquer tipo de apoio, crianças e jovens até aos 18 anos(24,4%) e idosos (14,7%) com reformas abaixo do salário mínimo nacional. Se não fosse pelas prestações sociais, em 2012, 46,9% da população residente em Portugal estaria em risco de pobreza ou pobreza efectiva."( In. Pobreza Ilegal)

E porque é fundamental e indispensável que tornemos actual o testemunho do Padre Abel Varzim, meditemos no que escreveu Helena Cidade Moura: "Refiro-me por exemplo, ao fenómeno da exclusão social, que atinge hoje toda a Europa. O Padre Abel Varzim, em toda a sua mensagem, chama a atenção de todas as classes sociais, para os perigos da desadaptação que o sistema comporta e disse-o também claramente, que só pela dignificação dos excluídos (na altura oprimidos) eles poderiam sair da situação em que se encontravam. Naquele tempo as palavras do Padre Abel, foram consideradas como apelo à rebelião e impróprias de um sacerdote." 
mt

março de 2015
forum abel varzim

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