2015 / EDITORIAL - Maio, maduro Maio...

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                                      Maio, maduro, Maio...

O início do mês de Maio foi marcado por dois acontecimentos marcantes: um de âmbito nacional – a greve de 10 dias da TAP e outro de âmbito Europeu - a vitória, por maioria absoluta, do Partido Conservador Inglês. É um dado que não merece contestação que a greve da TAP originou milhões de Euros de prejuízo à Companhia mas também aos sectores da Economia mais directamente dependentes do transporte aéreo.

Terminada a greve é tentador «crucificar» os Pilotos e o seu Sindicato pela greve desencadeada. E provavelmente serão justas as críticas a eles dirigidas. De facto, a greve é uma decisão grave que só deve ser tomada em último recurso e a mesma tem de ter presente não só a defesa dos interesses corporativos, mas também o bem comum de toda a sociedade. Talvez, por isso, algo de censurável mereça ser apontado aquele Sindicato e aos Pilotos da TAP. Mas, por outro lado, é bom não esquecer que haverá culpas (algumas bem grandes) doutros Actores envolvidos.

Pensemos nas sucessivas administrações da TAP, nos vários Governos e nas decisões que são tomadas, nem sempre as mais adequadas para defender uma Empresa «bandeira» que os portugueses reconhecem e que é fundamental para o desenvolvimento do país. Não haverá aqui culpas que devem ser imputadas? Seja como for, o que todos desejaríamos era que estas situações não se repetissem. E isso não vai depender, exclusivamente, dos Pilotos nem do seu Sindicato.

Independentemente da apreciação dos acontecimentos, importa saber distinguir entre um eventual abuso ou uso impróprio do direito à greve, a criticar, e o direito à greve propriamente dito, que nunca pode ser alienado, e que deve ser sempre apoiado reconhecido como um poderoso e excecional instrumento de luta e defesa por condições de trabalho mais dignas e justas

Outro acontecimento do início de Maio merece a nossa reflexão. A maioria absoluta obtida pelo Partido Conservador Inglês que resultou da vontade da maioria. Verdade seja dita que o número de deputados eleitos aparece condicionado pelo método utilizado para escolha dos mesmos nos diversos círculos eleitorais, favorecendo a constituição de maiorias. Em todo o caso, os Conservadores são os vencedores, indiscutivelmente. Então se é assim o que nos preocupa?

Preocupa-nos a possibilidade de acentuação do nacionalismo, o fechar as portas à Europa criando dificuldades à União, a «condenação» da emigração, a defesa de um liberalismo económica que favorece os ricos e amesquinha os pobres, etc, etc. Deus permita que estes receios sejam infundados. Recordamos aqui a palavra do Padre Abel Varzim em 15 de maio de 1948, in «O Trabalhador»: «Para um cristão a Humanidade é uma família: a Família Humana… ... Nós temos uma lei: amai-vos uns aos outros. Ora o Amor significa auxílio mútuo, amparo, doação, colaboração e tudo o mais que quiserem que signifique união. Um Cristão, sob pena de trair o Cristianismo, não pode deixar de favorecer e desejar que as Nações se entendem, se auxiliem, se unem, se sacrifiquem umas pelas outras, se dêem mutuamente as mãos». 

maio de 2015
forum abel varzim

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