«O TRABALHADOR» - Mensagem e Testemunho

O Epílogo da luta do Pe. Abel, e da sua equipa, em «O TRABALHADOR»

Em 14 de fevereiro de 1948, aquele Jornal, no n.º 5, da II Série, foi obrigado, por imposição da Secretaria de Estado das Corporações e Previdência Social, a publicar uma “Nota Oficiosa”, assinada pelo então Subsecretário de Estado, Dr. António Júlio de Castro Fernandes.

A citada Nota Oficiosa era já o prenúncio da “guerra” que estava ser movida pelos “apparatchick” do Estado Novo, contra aquele jornal e Abel Varzim, e que redundaria na suspensão do periódico, por meio de uma artimanha suja, que consistiu em não devolver o material entregue para análise na “Comissão de Censura”. …”

Vejamos um testemunho de Manuel Alpiarça[i], um dos colaboradores chegados do Pe. Abel na redacção de «O TRABALHADOR»:
« … Os cortes da censura começaram desde logo e continuaram, intensos e inexoráveis (mais de 12 páginas para saírem 8), tentando desmoralizar e tirar o interesse aos leitores. Aquando do N.º 5, chegou à última hora, para entrar obrigatoriamente naquela edição, uma nota oficiosa do já referido Subsecretário de Estado, que acusava o jornal de encapotados intentos subversivos e do mais refinado estilo marxista. Depois foi a tentativa de compra: 600 contos; toda a gente nos seus lugares, só recebia alguma orientação relacionada com a cobertura internacional. Rejeitada de imediato a proposta, veio, oito dias depois, a suspensão “sine-die”. Preparava-se a máquina para imprimir o n.º 26… Ao receber a notícia, Abel Varzim não se mostrou abatido. “Pena não termos aqui uma bandeira, disse, “para a desfraldarmos duma das janelas, porque isto é uma grande vitória. Não conseguiram calar-nos pela razão, tiveram de fazê-lo pela força incontrolada que ainda possuem” … »

Aqui deixamos o texto integral da citada “Nota Oficiosa”, bem como os comentários que a redacção conseguiu publicar.

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[i] Abel Varzim – mensagem e testemunho que permanecem!